Clube do Rock Gaúcho – um espaço para quem quer ver a história de perto
Criamos este espaço para os colaboradores e apoiadores do Relicário do Rock Gaúcho. Aqui vamos publicar material exclusivo e em estado bruto para quem se cadastrar – independentemente de participar ou não da campanha de arrecadação. A ideia é simples: mostrar o que está em desenvolvimento, sem filtros, sem cortes, exatamente como encontramos. As fitas recém-digitalizadas, os áudios ainda sem edição, as imagens que estão sendo catalogadas. Nem tudo será público, e é aqui que dividimos com você o trabalho nos bastidores.
Dez anos de avalanche
Quando fundamos o Relicário, sabíamos que ele se transformaria em algo um pouco maior do que um site de fã. Só não imaginávamos o tamanho que tomaria. Nos últimos dez anos, uma avalanche de acontecimentos nos atravessou. E nos empenhamos em manter tudo da forma mais autônoma possível, com os recursos que tínhamos. O que não estava previsto era o significado que o portal alcançaria para a comunidade da cultura do rock gaúcho. Hoje somos referência nacional.
O avanço tecnológico recente nos permite desenvolver ainda mais conteúdo. Mas a equipe chegou ao limite. Para fazer mais, precisamos investir.
Quem se interessa por conteúdo de rock gaúcho?
Hoje é comum assistir a um vídeo e ver o apresentador pedir likes, oferecer o pix “para mais conteúdos como este”. A pergunta que fica é: quem se interessa por conteúdo de rock gaúcho? Quem quer conhecer a história ainda não publicada? E aquele acervo de zines, jornais dedicados à cultura, fitas cassete, VHS, CD-Rs, DATs e outras mídias que o novo século tornou obsoletas?
Quem realmente valoriza a cultura musical do Rio Grande do Sul está longe de querer que tudo isso fique perdido no tempo, como lágrimas na chuva. A prova está nos documentários que têm sido lançados, nas obras literárias que contam essas histórias. Nós temos o website, o material físico e as informações factuais, comprovadas, contadas por quem fez a história. Temos credibilidade, e isso é reconhecido.
Quem mantém o Relicário de pé
Algumas pessoas ajudam voluntariamente. Doam discos, equipamentos de som, realizam trabalhos eventuais, participam de ações. Mas tudo isso acontece de maneira informal, porque o Relicário é um grupo de quatro indivíduos diretamente envolvidos (Reinaldo, Samarone, Darlan e Luciano) – e todas exercem outras atividades em paralelo, têm suas famílias, suas vidas. No entanto, uma delas assume esta responsabilidade em dedicar-se integralmente ao Relicário.
Uma parte significativa das ferramentas que usamos veio de doações: tape decks, scanner, amplificador, caixas de som e alto-falantes, fitas cassetes, revistas, fanzines, cassetes, DVDs. Material que utilizamos diariamente. Alguns itens foram vendidos por preço módico ou doados adiante, reaproveitados ao máximo. Temos também um excedente de discos de rock gaúcho originais – daqueles tipos raros e supervalorizados, mas que é raro alguém pagar o que realmente valem.
O Reconhecimento da causa
Jamais fizemos qualquer cobrança aos seguidores. Pelo contrário: eles costumam se surpreender com o que publicamos e vice-versa. E isso se revelou recentemente em números. Até 2025, o site recebia em média 50 visitas por dia. Em 2026, em menos de seis meses, a média saltou para cerca de 200 visitas diárias. O interesse está crescendo.
No início deste ano, com a ascensão das inteligências artificiais, preparamos o site para ser consultado por mais de vinte das principais IAs em operação no Brasil. Assim como se usa a tecnologia para a ciência, o portal está sendo abastecido semanalmente com dados públicos. E há ainda a manutenção dos equipamentos: pelo menos uma vez por mês algum deles precisa de reparo, ou surge a necessidade de comprar algo – de um cabo a um equipamento inteiro – para continuar melhorando.
O efeito vinagre
Existe também o fator tempo – o efeito vinagre – sobre nós, seres humanos. Não há sucessores para o Relicário. Em breve, pode não haver nem força de trabalho para continuar as digitalizações. Temos muito material a ser transformado em bits, e se não acelerarmos esse processo, ele vai se perder. E não haverá quem o resgate como nós fazemos há mais de uma década.
Os amigos que estenderam a mão
Em 2022, no auge da pandemia, o Relicário esteve prestes a encerrar as atividades. Não teríamos fundos para renovar a anuidade do servidor. Foi quando o Castor Daudt fez uma live de arrecadação e nos garantiu mais um ano. Pouco depois, o Luciano Vargas, o Luki, nos assegurou que o site não sairia do ar: assumiu a conta e nos disse para pagar como pudéssemos. Participamos dos eventos Tributo Miranda e Um Ano em Vortex, que também ajudaram muito. O Jano Campos, do Coleta Seletiva, mobilizou seus ouvintes em uma vaquinha que nos permitiu renovar o computador por mais alguns anos.
Mesmo com toda essa ajuda, o Relicário ainda não se sustenta sozinho. Não pode se beneficiar de um edital porque não tem CNPJ. O que temos é boa vontade – e a determinação de transformar este acervo em patrimônio público.
O sentimento dos seguidores – e o passo que falta
Muitos comentam que o Relicário merecia incentivo público. Mas para isso acontecer, precisamos sair da informalidade. O primeiro passo é abrir um MEI e poder participar formalmente de eventos, expor as fitas dos Cascavelletes, da Graforréia Xilarmônica, a coleção da Vortex e tantas outras raridades. É um requisito básico, e estamos determinados a cumpri-lo.
O Relicário hoje não pertence a um grupo de administradores. É referência mencionada em trabalhos acadêmicos, livros, filmes, documentários. É seguidamente lembrado em entrevistas com artistas. As consultas no site mostram o resultado desse reconhecimento.
A campanha – uma ação entre amigos
Diante de tudo isso, decidimos dar início a uma campanha. Chamamos de ação entre amigos, e estamos impulsionando o Apoia-se, incentivados pela Katia Suman. Convidamos todos os leitores a participar da arrecadação. E vamos recompensar quem contribuir com réplicas que já desenvolvemos para colecionadores e para o acervo do Relicário. Nosso plano inclui a possibilidade de patrocínio – seja de comerciantes, seja de pessoas físicas. O que precisamos é de um prazo para apresentar resultados.
O paradigma do Museu do Hip Hop
O exemplo que nos inspira é o Museu do Hip Hop de Porto Alegre. Durante dez anos antes de sua fundação, ele atuou com a comunidade até ser formalmente reconhecido como museu. Hoje promove eventos, tem sede, é uma baita referência. O Relicário atua há treze anos. Acreditamos que em até dois anos conseguiremos nos estabelecer, quem sabe participar de algum projeto público e, dentro de mais cinco anos – quando o portal completar vinte -, garantir sua existência como instituição, talvez um ‘Museu do Rock Gaúcho’.
Como os discos e as cotas funcionam
Os discos que estamos preparando terão tiragem limitada. A meta é chegar a 100 colaboradores permanentes por ano. Com apenas 12 colaboradores já podemos fabricar a primeira tiragem. Com 24, a segunda, e assim por diante, sempre em múltiplos de 12 até alcançarmos 48. A entrada de patrocinadores acelera esse processo: com mais recursos, a produção de discos aumenta, podendo chegar a até dois lançamentos por mês quando chegarmos acima de 96 colaboradores. É uma meta modesta, mas é o gatilho que destrava todo o resto.
O valor que sugerimos equivale a um café mensal – talvez com pastel, talvez um capuchino com croissant. É algo que não pesa na economia familiar. Em compensação, além de nos permitir “pejotizar“, você vai ajudar a acelerar a produção de conteúdo e de discos. E, principalmente, vai nos ajudar a salvar o acervo. Ou, pelo menos, tentar juntos.
O que você encontra a seguir
O projeto completo, com todos os detalhes, está nas páginas seguintes. Cada uma delas faz referência aos treze anos – em 2026 – do Relicário do Rock Gaúcho. É a história de um trabalho que começou com uma porta que se abriu e que agora precisa de muitas mãos para continuar aberta.
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